011 · Comprador & vendedor — o que cada um deve
Comércio é, no fundo, contrato: o vendedor entrega bens em conformidade no prazo; o comprador paga nas condições combinadas. Os capítulos abaixo destrincham como esse contrato é papeado, financiado, embarcado, desembaraçado e resolvido se algo quebrar.
Como é a boa prática
- Spec de produto clara — grade, embalagem, lote, validade.
- Incoterms acordados (próximo capítulo) para custo e risco serem inequívocos.
- Marco de pagamento definido — TED/TT, LC, escrow ou Trade Assurance da BRHUB.
Dica
Colocar spec, Incoterm e pagamento por escrito antes de começar é o maior preditor isolado de uma carga sem dor de cabeça.
022 · A papelada — documentos que você não pula
Uma carga internacional típica anda em uma pilha de documentos que provam o que foi enviado, quem é dono e que é legal importar. Faltar um trava na alfândega.
- Fatura comercial, packing list, certificado de origem.
- Bill of Lading (marítimo) ou Air Waybill — documento de título.
- Certificações do setor: SASO/SFDA (Arábia), Anvisa/INMETRO (Brasil), halal quando aplicável.
033 · Incoterms — quem paga o quê
Incoterms 2020 são a abreviação internacional para dividir custo e risco entre comprador e vendedor. Escolha o errado e você paga — às vezes literalmente.
Recap prático
- FOB — FOB — vendedor entrega a bordo do navio no porto nomeado. Risco transfere ali.
- CIF — CIF — vendedor cobre frete e seguro até o porto de destino. Comprador assume risco a bordo.
- DAP — DAP — vendedor entrega a um local nomeado no país do comprador. Comprador faz o desembaraço.
Veja a página dedicada de Incoterms para a escada completa dos 11 termos com diagramas.
044 · Pagamentos — os quatro mecanismos que importam
Termos de pagamento são negociados ao lado do preço. Escolha um mecanismo coerente com o nível de confiança e o tamanho do pedido.
- TED/TT (transferência) — rápida, barata, sem garantia. Comum para repetentes.
- Carta de Crédito (LC) — mediada por banco, protege os dois lados, mas cara e burocrática.
- Trade Assurance / escrow — fundos retidos até o comprador confirmar. Padrão na BRHUB para primeiras relações.
Dica
Fornecedor novo? Use escrow ou LC. Estabelecido? TT com marcos costuma servir.
055 · Alfândega — desembaraçando os dois lados
Alfândega é papelada e tributos. A maior parte dos atrasos é papelada.
- NCM/HS: classifique certo. Código errado = imposto errado = carga retida.
- Pode haver inspeção pré-embarque (especialmente para Arábia).
- Arábia: SABER + conformidade SASO. Brasil: SISCOMEX, RFB e possivelmente Anvisa.
- Use despachante licenciado nas primeiras vezes — economia de container retido já paga.
066 · Frete — de A para B
A maior parte das cargas B2B no corredor Brasil-Arábia vai por mar (mais barato, mais lento), com aéreo para alto valor ou perecível.
Modais & quando usar
- Mar LCL — pouco volume, container compartilhado. Barato por CBM, lento.
- Mar FCL — seu próprio 20' ou 40'. Melhor economia para carga cheia.
- Aéreo — premium, útil para amostras, reposição urgente e alto valor.
077 · Certificações & compliance
Cada mercado tem certificações must-have. Saber antes evita carga rejeitada.
- Arábia: SASO/SABER para a maioria dos bens, SFDA para alimentos e cosméticos, halal para produtos de origem animal.
- Brasil: INMETRO para regulados elétricos/medição, Anvisa para alimentos, fármacos e cosméticos.
- Setoriais: orgânico, Kosher, FSC, ISO 9001, BRC, GMP+ — frequentemente exigidos por compradores de varejo.
Dica
Construa o stack de certificações um cliente à frente. Adicionar auditoria no meio de carga é cruel.
088 · Disputas — quando não vai como o plano
Disputas acontecem mesmo com fornecedores ótimos. O truque é ter contrato, evidência e mecânicas de plataforma que resolvem rápido.
- Documente o problema com fotos, pesos e timestamps em até 72h da chegada.
- Abra um pedido pela Buyer Protection BRHUB se o pedido foi via Trade Assurance.
- A maior parte das disputas resolve em 3–7 dias quando contrato e evidência estão limpos.